Termo do glossário

Ancoragem Anchoring

O viés cognitivo de se apegar a um número de referência inicial — um preço de compra, uma máxima de 52 semanas, um número redondo — ao julgar se um preço atual está barato ou caro, mesmo quando esse número não carrega nenhuma informação sobre o valor atual.

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O Viés

A ancoragem, documentada por Kahneman e Tversky na década de 1970 e detalhada em Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar (2011), descreve como um número inicial — mesmo que arbitrário — puxa os julgamentos subsequentes em sua direção. Nos mercados, a âncora raramente é arbitrária em sua origem, mas é arbitrária em relevância: um preço de compra, uma máxima de 52 semanas ou um número redondo como $100 parecem pontos de referência significativos porque são memoráveis e salientes, não porque o valor do negócio tenha qualquer relação com eles. O viés não é uma falha de conhecimento — experimentos mostram que pessoas informadas de que a âncora é irrelevante ainda assim são puxadas por ela — razão pela qual a ancoragem sobrevive até em investidores experientes que conseguem recitar a teoria perfeitamente.

Como as Âncoras Distorcem Decisões

A ancoragem aparece de forma mais visível em decisões de aumento de posição e saída: uma posição é julgada em relação ao que foi pago por ela, e não em relação às suas perspectivas atuais, de modo que "voltar ao ponto de equilíbrio" se torna uma meta que nada tem a ver com o fato de o negócio ter melhorado ou não nesse meio tempo. Uma máxima anterior ancora expectativas sobre onde uma ação "deveria" voltar a ser negociada, independentemente de os fundamentos que produziram aquela máxima ainda se sustentarem hoje. A distorção se soma ao viés de aversão à perda — a âncora fornece o ponto de referência, e o peso assimétrico das perdas em relação a esse ponto fornece a relutância em agir sobre ele, razão pela qual os dois vieses são tão frequentemente discutidos juntos, e não separadamente. Um preço-alvo definido puramente a partir de um número passado memorável, sem referência a qualquer mudança no próprio negócio, é o indício mais claro de que é uma âncora, e não uma análise, que está no comando.

Âncoras vs. Níveis Tecnicamente Significativos

Nem todo preço de referência é ancoragem — um nível que atraiu repetidamente compras ou vendas e coincide com uma análise estrutural pode carregar informação genuína, distinta de um preço que importa apenas porque foi ali que um investidor por acaso entrou. Distinguir os dois é o teste prático: o nível reflete onde a multidão agiu anteriormente ao longo de muitos participantes, ou apenas onde este leitor em particular agiu uma vez, distinção que exige observar o gráfico, e não o histórico pessoal de operações. Veja Regime de Mercado para entender como a Closelook enquadra níveis no plano do índice, em vez do plano da posição individual, o que contorna o problema da âncora pessoal por construção — um índice não tem preço de compra ao qual se ancorar, apenas uma leitura de regime calculada.